Mobilidade urbana em transformação no olhar da Alstom Brasil

Suely Sola - Diretora Geral da Alstom Brasil

O cenário da mobilidade urbana no Brasil exige inovação, integração e visão de futuro para superar desafios históricos e atender às demandas de cidades mais conectadas, acessíveis e sustentáveis. Nesse contexto, a Alstom, presente no país há quase sete décadas, tem desempenhado papel estratégico no desenvolvimento de soluções tecnológicas que apoiam a evolução do setor.

Em entrevista, Suely Sola, Diretora Geral da Alstom Brasil, compartilha sua visão sobre os rumos da mobilidade no país, destaca iniciativas concretas da empresa e aponta caminhos para uma transformação que passa por planejamento de longo prazo, cooperação entre setores e compromisso com a sustentabilidade.

Como você avalia o momento atual da mobilidade urbana no Brasil e os caminhos possíveis para a sua evolução?

A mobilidade urbana no Brasil ainda enfrenta desafios como congestionamentos, transporte público ineficiente e baixa integração entre modais. No entanto, há caminhos promissores para sua evolução, como:

• Investimentos em transporte público de qualidade, com destaque para a expansão da mobilidade sobre trilhos (metrôs, trens e VLTs), que oferecem maior capacidade, regularidade e menor impacto ambiental;
• Incentivo à mobilidade ativa, como bicicletas e caminhadas;
• Uso de tecnologias como veículos elétricos, apps de mobilidade e gestão inteligente do tráfego;
• Planejamento urbano sustentável, com foco em reduzir deslocamentos longos;
• Participação social e políticas públicas baseadas em dados.
Com inovação, integração e foco na mobilidade sobre trilhos, é possível transformar o cenário atual em um sistema mais eficiente, inclusivo e sustentável.

Essa mudança exige investimentos em infraestrutura moderna, intermodalidade e soluções digitais que melhorem a experiência do usuário e reduzam o impacto ambiental.

Como a sua organização se conecta com a proposta de debater temas estruturantes para o futuro da mobilidade no Brasil?

A Alstom está há quase 70 anos no Brasil e tem contribuído ativamente para o desenvolvimento da infraestrutura de transporte do país, com foco em inovação, sustentabilidade e progresso social. Participamos de fóruns, eventos e iniciativas que discutem descarbonização, veículos autônomos e soluções digitais para a mobilidade. Também promovemos internamente debates estratégicos com lideranças globais, de modo a potencializar o know-how global da empresa para o contexto dos desafios na América Latina.

Qual a importância da cooperação entre os diversos modos de transporte para alcançar soluções mais completas de mobilidade?

A integração entre diferentes modais é essencial para garantir fluidez, acessibilidade e eficiência no deslocamento urbano. A Alstom atua com soluções que vão desde VLTs e monotrilhos até trens de alta velocidade, sempre com foco em interoperabilidade e conectividade. Acreditamos que a mobilidade do futuro será híbrida, digital e colaborativa.

Quais soluções ou iniciativas da sua organização você destacaria como contribuição concreta para um transporte mais moderno e acessível?

Podemos destacar os VLTs Citadis do Rio de Janeiro, produzidos em Taubaté (SP) para as Olimpiadas de 2016; a implementação de sistemas de sinalização avançada nas linhas 1,2,3 do Metro de São Paulo; e a exportação de soluções tecnológicas para diversos países. Além disso, o sistema de monotrilho Innovia™ na Linha 15-Prata soma-se aos exemplos de como a Alstom alia inovação e sustentabilidade no desenvolvimento de soluções para os desafios da mobilidade.

Como a empresa tem se posicionado diante da crescente demanda por sustentabilidade nos sistemas de transporte?

A sustentabilidade está no centro da estratégia da Alstom. Nossas soluções priorizam a redução de emissões, eficiência energética e materiais recicláveis. A empresa também adota rígidas políticas de compliance e governança, reforçando seu compromisso com práticas responsáveis. Globalmente, a Alstom estabeleceu metas ambiciosas para a redução de emissões de CO₂, alinhadas aos compromissos globais de sustentabilidade e à iniciativa Science Based Targets (SBTi). Até 2030, a empresa pretende reduzir em 40% suas emissões absolutas de gases de efeito estufa.

Além disso, busca diminuir em 42% a intensidade de emissões por passageiro-quilômetro nos produtos voltados ao transporte de passageiros, e em 35% a intensidade por tonelada-quilômetro nos produtos voltados ao transporte de carga. Também está prevista uma redução de 30% nas emissões relacionadas à cadeia de suprimentos e distribuição. A longo prazo, a Alstom também tem como meta alcançar a neutralidade de carbono em toda a sua cadeia de valor até 2050, reforçando seu compromisso com uma mobilidade mais limpa, eficiente e sustentável.

O Conexão ANPTrilhos traz temas como financiamento, marco legal e planejamento de longo prazo. Qual deles você acredita ser mais estratégico hoje, e por quê?

O planejamento de longo prazo é o pilar mais estratégico, pois permite alinhar investimentos, políticas públicas e inovação tecnológica. Sem uma visão estruturada e integrada, os avanços em financiamento e regulação perdem eficácia. A Alstom defende uma abordagem sistêmica e colaborativa para garantir a perenidade dos projetos de mobilidade.

O setor público e privado têm papéis complementares na estruturação da mobilidade. Como vocês avaliam essa relação no contexto brasileiro?

A relação entre os setores é fundamental e deve ser pautada por confiança, transparência e objetivos comuns. A Alstom tem atuado como parceira estratégica de governos e operadores, oferecendo soluções customizadas e sustentáveis. Acreditamos que a sinergia entre os setores é o caminho para transformar a mobilidade urbana em um vetor de desenvolvimento social e econômico

Qual mensagem a sua organização gostaria de deixar para os participantes do Conexão ANPTrilhos?

A Alstom reafirma seu compromisso com a mobilidade inteligente, inclusiva e sustentável. Estamos prontos para colaborar com todos os atores do ecossistema em soluções que conectem pessoas, ideias e cidades. Acreditamos que o futuro da mobilidade começa com decisões corajosas no presente — e estamos prontos para liderar essa transformação ao lado de nossos parceiros.